quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010




Demônios também choram.





“Ainda que eu falasse a língua dos homens,
E falasse a língua dos Anjos,
Se não tivesse amor, seria como o metal que soa
Ou o sino que retine.

E ainda que eu tivesse o dom de profecia,
E conhecesse todos os mistérios e todas as ciências,
E ainda que tivesse toda a fé, de maneira
Tal que transportasse os montes
E não tivesse amor,
Nada seria.

E ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado,
E não tivesse amor,
Nada disso me proveitaria,
E ainda assim
Eu nada seria...”
                                         Corinto 1. 13,1 à 3.




Lagrimas do Céu




Chove muito sobre a velha Paris. Os ventos uivadores cortam o ar como laminas de pura prata, e fazem tremer os antigos vitrais da velha e suntuosa catedral de Notre-Dame. A praça Parvis esta deserta, assim como a pequena Île de La Cité. Apenas um único ser se faz visível entre os grossos fios de água que não param de cair.
Ele caminha por entre os arbustos calmamente como se a chuva, não o tocasse. Parece etéreo andando por sobre a grama molhada da praça. De repente um raio corta o noturno céu iluminando tudo com o clarão, tornando a noite um sombrio dia momentâneo. Olhando para a entrada da catedral ele se depara com mais uma figura.
De fronte ao Portal do Julgamento, como se fizesse parte dele, está a outra figura, e parece que observa o primeiro. Por um momento este parece que não da importância a repentina aparição do outro, mas subitamente vai ao seu encontro.
- Que fazes aqui? Pergunta o primeiro. Com uma voz tão pura quanto o cristal. Seu timbre lembra, levemente, o som de um violino.
- Terminaste o teu trabalho? Retruca o outro com voz igualmente bela. Porem este tem um tom mais grave, profundo, como um baixo.
Aparente mente, a chuva cessa, e os ventos que outrora cortavam o ar, se acalmam como para ouvir os dois conversarem com suas vozes magníficas.
- Sim... Ele partiu. Diz o primeiro com tristeza.
- Achei já tinhas se livrado desse sentimentalismo por eles. Diz o segundo virando-lhe as costas e andando em direção ao Portal da Virgem. Ele observa os belos desenhos feitos no século XIII, representando cenas da vida e morte de Maria, onde se vê figuras de reis e antigos patriarcas do antigo testamento, sobe o tímpano onde retrata a coroação da Virgem Maria. Vê, todos eles partiram, todos eles se foram. E o que Nós podemos fazer? Nada. Nós não podemos interferir-lhes a vida, nem o destino. Podemos apenas observar-los, e conduzir seus caminhos para que não se percam em suas jornadas.
- Sei bem. Mas... Apiedo-me ainda de suas partidas... Tantas coisas que eles poderiam ter feito...
- Ridículo esse pensamento vindo de ti. Outro raio cruza o céu parisiense. E como se por mágica o outro desaparece no clarão, deixando só o primeiro, que observa os alto-relevos do arco que emoldura a entrada esquerda da catedral.
A chuva volta a cair em largos fios grossos sobre os telhados de Paris, como se todo o céu noturno chorasse.
- Lagrimas do céu... Estar na amargura de viver, e ver que todos se vão menos tu. É ser amaldiçoado com a pior tortura. A de estar vivo. Sussurra, enquanto o vento gélido corta os ares de velha cidade.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Passa por mim, passa...
Vê alguma das Graças? Então porque me olhas assim!
Buscando algo em mim... Em mim não há nada....
Sou só um conto de fada.. girando atado....
Um redemoinho ao vento....nenhum sentimento....
Só, o fantasma da arte , que aflora e parte, sonho fugaz de teima e paz...
Uma serena euforia, que se eu pudesse, pararia, não escreveria, não revelaria,
Essa página rasgada, esse resumo do nada...
E ao fantasma da arte quando aflorasse e a serena euforia quando chegasse...
Antes diria em triste aceno...
Eu, um sinal de menos....

Florbella Espanca

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Poema negro

A Santos Neto

Para iludir minha desgraça, estudo.
Intimamente sei que não me iludo.
Para onde vou (o mundo inteiro o nota)
Nos meus olhares fúnebres, carrego
A indiferença estúpida de um cego
E o ar indolente de um chinês idiota!

A passagem dos séculos me assombra.
Para onde irá correndo minha sombra
Nesse cavalo de eletricidade?!
Caminho, e a mim pergunto, na vertigem:
— Quem sou? Para onde vou? Qual minha origem?
E parece-me um sonho a realidade.

Em vão com o grito do meu peito impreco!
Dos brados meus ouvindo apenas o eco,
Eu torço os braços numa angústia douda
E muita vez, à meia-noite, rio
Sinistramente, vendo o verme frio
Que há de comer a minha carne toda!

É a Morte — esta carnívora assanhada —
Serpente má de língua envenenada
Que tudo que acha no caminho, come...
— Faminta e atra mulher que, a 1 de janeiro,
Sai para assassinar o mundo inteiro,
E o mundo inteiro não lhe mata a fome!

Nesta sombria análise das cousas,
Corro. Arranco os cadáveres das lousas
E as suas partes podres examino. . .
Mas de repente, ouvindo um grande estrondo,
Na podridão daquele embrulho hediondo
Reconheço assombrado o meu Destino!

Surpreendo-me, sozinho, numa cova.
Então meu desvario se renova...
Como que, abrindo todos os jazigos,
A Morte, em trajos pretos e amarelos,
Levanta contra mim grandes cutelos
E as baionetas dos dragões antigos!

E quando vi que aquilo vinha vindo
Eu fui caindo como um sol caindo
De declínio em declínio; e de declínio
Em declínio, com a gula de uma fera,
Quis ver o que era, e quando vi o que era,
Vi que era pó, vi que era esterquilínio!

Chegou a tua vez, oh! Natureza!
Eu desafio agora essa grandeza,
Perante a qual meus olhos se extasiam...
Eu desafio, desta cova escura,
No histerismo danado da tortura
Todos os monstros que os teus peitos criam.

Tu não és minha mãe, velha nefasta!
Com o teu chicote frio de madrasta
Tu me açoitaste vinte e duas vezes...
Por tua causa apodreci nas cruzes,
Em que pregas os filhos que produzes
Durante os desgraçados nove meses!

Semeadora terrível de defuntos,
Contra a agressão dos teus contrastes juntos
A besta, que em mim dorme, acorda em berros
Acorda, e após gritar a última injúria,
Chocalha os dentes com medonha fúria
Como se fosse o atrito de dois ferros!

Pois bem! Chegou minha hora de vingança.
Tu mataste o meu tempo de criança
E de segunda-feira até domingo,
Amarrado no horror de tua rede,
Deste-me fogo quando eu tinha sede...
Deixa-te estar, canalha, que eu me vingo!

Súbito outra visão negra me espanta!
Estou em Roma. É Sexta-feira Santa.
A treva invade o obscuro orbe terrestre.
No Vaticano, em grupos prosternados,
Com as longas fardas rubras, os soldados
Guardam o corpo do Divino Mestre.

Como as estalactites da caverna,
Cai no silêncio da Cidade Eterna
A água da chuva em largos fios grossos...
De Jesus Cristo resta unicamente
Um esqueleto; e a gente, vendo-o, a gente
Sente vontade de abraçar-lhe os ossos!

Não há ninguém na estrada da Ripetta.
Dentro da Igreja de São Pedro, quieta,
As luzes funerais arquejam fracas...
O vento entoa cânticos de morte.
Roma estremece! Além, num rumor forte,
Recomeça o barulho das matracas.

A desagregação da minha idéia
Aumenta. Como as chagas da morféa
O medo, o desalento e o desconforto
Paralisam-se os círculos motores.
Na Eternidade, os ventos gemedores
Estão dizendo que Jesus é morto!

Não! Jesus não morreu! Vive na serra
Da Borborema, no ar de minha terra,
Na molécula e no átomo... Resume
A espiritualidade da matéria
E ele é que embala o corpo da miséria
E faz da cloaca uma urna de perfume.

Na agonia de tantos pesadelos
Uma dor bruta puxa-me os cabelos,
Desperto. É tão vazia a minha vida!
No pensamento desconexo e falho
Trago as cartas confusas de um baralho
E um pedaço de cera derretida!

Dorme a casa. O céu dorme. A árvore dorme.
Eu, somente eu, com a minha dor enorme
Os olhos ensangüento na vigília!
E observo, enquanto o horror me corta a fala,
O aspecto sepulcral da austera sala
E a impassibilidade da mobília.

Meu coração, como um cristal, se quebre
O termômetro negue minha febre,
Torne-se gelo o sangue que me abrasa,
E eu me converta na cegonha triste
Que das ruínas duma casa assiste
Ao desmoronamento de outra casa!

Ao terminar este sentido poema
Onde vazei a minha dor suprema
Tenho os olhos em lágrimas imersos...
Rola-me na cabeça o cérebro oco.
Por ventura, meu Deus, estarei louco?!
Daqui por diante não farei mais versos.

Augusto dos Anjos

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

É preciso matar essa Quimera que me destrói por dentro.


Bem... Hoje eu estou falando com você, leitor.
Perece meio estranho ouvir isso de alguém que você nem conhece, mas, preciso desabafar.
Estou hoje dividido.
Gosto de alguém que não me corresponde.
Daí você pode dizer: há! Mas quem nunca passou por isso?
Verdade...
Não sou o único na face da terra que sofre por alguém. E nem tenho a pretensão de achar que o meu sofrer é maior que o de outra pessoa.
Mas, preciso dizer isso para alguém. E escolhi você.
Gosto de alguém que... Talvez nunca sentiria o mesmo por mim, pois ... (nossa, é estranho. Tudo isso aqui dentro de minha cabeça) cai numa armadilha por vontade. Mesmo sabendo que isso aconteceria.
E por não querer machucar essa pessoa, me escondo em versos, textos, poemas, frases...
Enfim, me escondo de mim mesmo. Pois não tenho coragem de falar, e correr o risco de ser rejeitado (não rejeitado simplesmente. Mas, perder alguém que realmente é importante para mim (Nossa! É mais que eu posso imaginar, mas nos conhecemos a tão pouco tempo, dois três meses, não sei direito. Mas essa pessoa realmente é importante para mim. Não sei por que, mas é)).
É agradável a companhia dessa pessoa, gosto de conversar, falar besteira, rir de assuntos banais, falar de filmes, musicas, contar piadas...
É gostoso quando estamos juntos. Mas essa pessoa nem desconfia que gosto dela (acho)
E talvez se desconfiasse, não olharia em minha cara mais nunca.
Realmente eu gostaria de ser normal...
“Mas, me é proibido ver o céu”
Gostaria que isso que eu sinto não fosse como eu sinto. Ou seja, fosse só uma atração, ou apenas sexo. Dessa forma seria mais fácil lidar com isso. Mas não é... Talvez eu deseje essa pessoa como uma esperança de mudança em minha vida. Talvez eu me tornasse uma pessoa melhor.
Ou, talvez, isso não seja realmente o que eu sinto. Mas sinto!
Eu tento não demonstrar o que sinto quando estamos juntos. Mas acho que meu olhar me denuncia.
Só não entendo como é que essa pessoa não percebeu nada ainda. Talvez a “mascara” que estou usando, seja realmente forte, e consiga esconder meus olhos.
Ou essa pessoa, realmente não me enxergue como um alguém que poderia gostar dela.
Mas isso ta me doendo muito. E por não ter com quem desabafar, estou escrevendo isso (talvez ninguém nunca leia).
Gostaria de ter a coragem de falar o que sinto. De me abrir para essa pessoa.
Mas o que eu perderia se essa pessoa me repudiasse eu não estou disposto a perder, e não tenho fichas o suficiente para apostar nesse jogo, e, talvez eu não tenha mais estruturas para agüentar a dor de perder mais alguém. E não sei como reagiria. Tenho muito medo de mim...
Poderia perder uma amizade muito linda (pelo menos no meu ponto de vista) e não sei se estou disposto a tanto.
Talvez um dia isso passe. E essas linhas sejam lidas com desdém por mim mesmo.
É... Eu sei que vai passar. Afinal, nada é para sempre. E mesmo se eu conseguisse o coração dessa pessoa, um dia isso acabaria. Mas ai... Coisas muito maiores que esses medos meus teriam acontecido, e compensariam meu desespero hoje.
Hoje tomei uma decisão (talvez infundada) de me afastar. Não sei ate quando. Mas vou manter a mim e a pessoa protegidos disso ate que passe. Vai passar, eu sei.
Ate lá, veremos o que acontece.

ps.: Gostaria muito que VOCE lesse isso.
Metade

Que a força do medo que eu tenho,
não me impeça de ver o que anseio.

Que a morte de tudo o que acredito
não me tape os ouvidos e a boca.

Porque metade de mim é o que eu grito,
mas a outra metade é silêncio...

Que a música que eu ouço ao longe,
seja linda, ainda que triste...

Que a mulher que eu amo
seja para sempre amada
mesmo que distante.

Porque metade de mim é partida,
mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
não sejam ouvidas como prece
e nem repetidas com fervor,
apenas respeitadas,
como a única coisa que resta
a um homem inundado de sentimentos.

Porque metade de mim é o que ouço,
mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz
que eu mereço.

E que essa tensão
que me corrói por dentro
seja um dia recompensada.

Porque metade de mim é o que eu penso,
mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste
e que o convívio comigo mesmo
se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto,
um doce sorriso,
que me lembro ter dado na infância.

Porque metade de mim
é a lembrança do que fui,
a outra metade eu não sei.

Que não seja preciso
mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito.

E que o teu silêncio
me fale cada vez mais.

Porque metade de mim
é abrigo, mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta,
mesmo que ela não saiba.

E que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade
para fazê-la florescer.

Porque metade de mim é platéia
e a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada.

Porque metade de mim é amor,
e a outra metade...
também.

Ferreira Gullar

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010


Nos mais altos platôs de meu
Insignificante ser, disposto a voar
Dei de cara com muralhas

Nas mais profundas alegrias
De minha inútil vida, pode sentir
Mas mais afiadas laminas de meus pudores

Dos mais brancos pecados
Cometi, talvez, o mais alvo
Amar, querer sentir...

Adormeci em verde campinas,
Sofri mas doce dor,
Senti mas pesado sentir,
Lutei mais sublime paz,
Morri... doce ilusão que me fez sonhar.

                                        Angello Max
A MORTE FAZ UM ARTISTA

Só uma vez eu pude ver meus sonhos
Não sentia-me pequeno abaixo das estrelas
Uma vez tive barras em meu berço
Como prisioneiro de lá escrevi uma carta meu senhor, para ti, deixe-me ser o que minhas crianças pensam que sou
Em você está a beleza do mundo, no qual a morte me fez um artista

O silencio da profunda magoa de ser e estar, as palavras que não saem, e os pensamentos que me torturam
Sou meu proprio verdugo, sou eu o meu super-ego

Meu próprio paraíso eu criei aqui
Deixe-me ir embora

sábado, 13 de fevereiro de 2010

ORAÇÃO A SÃO JORGE:
Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge para que meus inimigos ,tendo pés não me alcancem,tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me vejam, e nem em pensamentos me fazem mal.
As armas de fogo o meu corpo não alcançarão ,facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar, cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar.
Jesus Cristo, me proteja e me defenda com o poder de sua divina graça,Virgem de Nazaré me cubra com seu manto divino e sagrado protejendo-me em todas as minhas dores e aflições e Deus ,com sua divina misericórdia e grande poder seja meu defençor contra as maldades e perseguições dos meus inimigos.
Glorioso São Jorge,em nome de Deus,estenda o seu escudo e suas poderosas armas ,defendendo-me com sua força e com sua grandeza, e que debaixo das patas de seu fiel ginete meus inimigos fiquem humildes e submissos a vós.
Assim seja com poder de Deus,de Jesus Cristo, e de São Miguel Arcanjo. Amém!